Boas práticas na recuperação de patologias em reabilitações

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Boas práticas na recuperação de patologias em reabilitações

Reabilitação predial

Neste texto, abordaremos patologias específicas em sistemas estruturais


No patrimônio edificado, com o envelhecimento dos materiais, são necessárias correções para adaptar a construção às exigências contemporâneas. Estas ações ocorrem conjugadas a um apreciável número de práticas que visam atender as demandas de obsolescência no meio edificado.

Contudo, qualquer abordagem no sentido de adequar as anomalias de espaços edificados deve passar pelo conhecimento das patologias, à luz da interpretação das suas origens, inclusive por vícios construtivos, deficiências de projeto e intervenções malsucedidas.

Assim, a seguir descrevemos diversos aspectos patológicos relacionamos aos sistemas estruturais, com recomendações para as intervenções nas benfeitorias construídas.

Patologias em sistemas estruturais

Em antigas edificações, era usual a execução de estruturas portantes constituídas de pedra e reforçadas com elementos de tijolo e aglutinadas com argamassas de cal e saibro.

Entretanto, por vezes, essas estruturas, mesmo com grandes espessuras, não conseguiam ao longo do tempo atender aos esforços ou às condições de transmissão das cargas, ocorrendo recalques no conjunto construído, que poderia conduzir até ao seu colapso.

Para construções antigas assentes em bases compactadas de suporte para transmissão das cargas às camadas do solo, na exigência de reforços estes podem ocorrer com a cravação de pequenas estacas pré-moldadas ou de madeira, que permitiriam a estabilidade e a manutenção das paredes resistentes.

Também pode existir a necessidade de execução de reforços em cintas corridas, executadas com materiais de granulometria variada para suporte das paredes portantes, por vezes em pedras encaixadas e argamassadas, e em concretos. Nestas, é importante consolidá-las com reforços nas seções, uniformizando a distribuição de cargas.

Além disso, nos elementos que possam significar um esforço para a estabilidade de vergas e paredes, recomenda-se escorar e preencher com peças concretadas “in situ” ou colocar reforços metálicos, evitando-se a descontinuidade das ligações estruturais, até que sejam executadas estruturas de amarração.

Entretanto, quando a solução estrutural implica a intervenção em arcos (arcos de pedra ou de tijolo maciço) e passagens (pórticos), estes devem ser realizados mediante a remoção de cargas excessivas, com a execução de escoramentos para manutenção do prumo e no auxílio na redistribuição das cargas.

Paredes portantes

Em estruturas de paredes portantes, por vezes, deve-se retirar a capa superficial para verificar o conjunto das patologias na definição do partido de consolidação do elemento a ser recuperado.

No caso de conciliar alvenarias de pedra com a execução de reforços em concreto armado, deve-se usar um aglomerante ligante em concreto bem fluido para o preenchimento das cavas executadas, utilizando cachimbos (calhas com recipientes para bombear o grauteamento nas cavidades a serem reforçadas), sendo esta intervenção feita inicialmente por uma das faces da parede e depois no seu lado oposto, até que haja a consolidação da peça recuperada.

Outra região a ser verificada nas estruturas portantes de antigas edificações são os apoios de colocação de peças de madeira, que formam o nível de base de cada pavimento. Como as peças da madeira estariam apoiadas em um berço oculto, pode este local ser atacado por micro-organismos, ou apresentar deslocamentos conduzindo ao seu colapso.

Na ocorrência do comprometimento do madeiramento nessas peças de apoio recomenda-se, então, reforçar lateralmente as peças de madeira com perfis e grapas metálicas, garantindo, assim, a sua permanência e estabilidade.

Todavia, os pavimentos em prédios antigos eram realizados com o uso de vigotas (consoeiras em madeira maciça) que recebiam um assoalho, servindo de piso ao pavimento, e sobre este eram executadas as compartimentações, em tabiques que definiam a condição espacial dos cômodos, mas em algumas ocasiões eram realizadas elevações de paredes em tijolos cerâmicos argamassados, ou ainda, com estruturas de sarrafos de madeira fixados em diagonal.

Deve-se ressaltar que há uma patologia endógena quando as paredes em tijolos ou em blocos de argila estão assentes sobre pavimentos constituídos de estruturas entarugadas de madeira, pois estas não oferecem ligações para as cargas ali distribuídas, nem estabilidade física adequada, entretanto há uma expressiva quantidade de antigas construções com esta solução.

Manual de Conservação Preventiva para Edificações

Para conhecimento de procedimentos de recuperação de sistemas estruturais em edificações antigas recomenda-se a leitura do Manual de Conservação Preventiva para Edificações, do IPHAN, que instrui e classifica as estruturas nas suas condições de lesão.

Exemplos dessas condições são pequenas fissuras na união de paredes, cuja causa pode ser recalque decorrente de acomodações de fundações ou por lesões com fissuras em forma de parábola, cuja causa seria um recalque de uma parede maciça, possivelmente assente sobre uma fundação corrida, o que pode contribuir na região para o rompimento de tubulações de água ou esgoto.

Em situações especiais, os vazios do terreno também são provocados por escavações, apodrecimento de baldames, movimentos causados por tráfego intenso e pesado, ou até por colônias de térmitas e outros agentes biológicos que poderiam gerar a movimentação de estruturas, com o aparecimento de fissuras e fendas.


Gostou? Para saber mais, indicamos a leitura do livro Reabilitação Predial – Vol. 2, do professor Eduardo Qualharini. O Capítulo 5As Boas Práticas na Recuperação de Patologias em Reabilitações – aborda as patologias a seguir:

  • Patologias em Sistemas Estruturais
  • Patologias em Revestimentos Argamassados
  • Patologias em Revestimentos Cerâmicos
  • Patologias de Revestimentos em Pintura
  • Patologias em Coberturas e Telhados
  • Patologias em Elementos Construtivos
  • Patologias em Sistemas Prediais

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Reabilitação predial: contexto e conceitos
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