Chuvas de verão: como evitar os alagamentos urbanos

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Chuvas de verão: como evitar os alagamentos urbanos

Inundação no Rio de Janeiro causada por chuvas de verão

Durante as chuvas de verão, o que é necessário ser feito para evitar as inundações e alagamentos urbanos?

Essa é uma pergunta recorrente que ouvimos no início do verão.

As estatísticas mostram que os prejuízos decorrentes de cheias em áreas urbanas vêm crescendo ao longo das décadas, acompanhando o incremento da própria urbanização. Mais pessoas, bens, serviços, edificações e infraestruturas acabam se concentrando e se expondo a maiores perigos de inundação ou alagamento em áreas urbanas.

Vale lembrar que o próprio processo de urbanização remove vegetação e impermeabiliza o território, agravando as cheias em um processo que realimenta o ciclo de prejuízos.

Chuvas de verão e suas consequências

Nesse contexto, a proximidade do período mais úmido do ano traz sempre essa questão: o que pode ser feito para minimizar as consequências danosas das cheias em áreas urbanas?

Muitas vezes se esperam respostas rápidas, que façam frente a situações momentâneas de sofrimento, sempre com uma carga elevada de dramaticidade. Pessoas perdem o trabalho de uma vida e, às vezes, perdem a própria vida.

Certamente há uma série de medidas que podem ser tomadas, mas elas, em geral, não são rápidas, nem na implantação nem na efetividade.

Durante o verão, a cidade do Rio de Janeiro e seus municípios sofrem anualmente com as inundações.
Durante o verão, a cidade do Rio de Janeiro e seus municípios sofrem anualmente com as inundações.

Ciclo hidrológico e inundações urbanas

O problema de inundações urbanas, durante as chuvas de verão, precisa ser tratado na escala da bacia, entendendo o ciclo hidrológico e as modificações introduzidas pelo processo de urbanização, de modo a criar mecanismos de compensação, que permitam o funcionamento adequado da rede de drenagem e dos próprios sistemas fluviais, em harmonia com a cidade, sua população e sua rede de serviços.

Entre estas medidas, podem ser citadas:

  • preservação ou recuperação de fundos de vale e áreas úmidas, onde deveria ocorrer o armazenamento natural do excesso das águas de chuva e de extravasamento dos rios;
  • preservação ou recuperação de vegetação de encostas e da mata ciliar;
  • implantação de redes de microdrenagem para provimento de infraestrutura básica em áreas de alagamento; medidas básicas de manutenção da rede existente, incluindo limpeza de canais;
  • priorização da implantação de medidas de armazenamento temporário da água, para reordenamento dos escoamentos, cujos padrões foram modificados pela urbanização e introdução de medidas que favorecem a infiltração distribuída pela cidade/bacia.

Porém, deve-se destacar que a cidade é um sistema complexo, de inúmeras interdependências, e a desordem urbana resultante de falhas de planejamento urbano, de controle de uso do solo e de provimento de infraestrutura é um fator crítico.

Sistema de drenagem urbano

O sistema de drenagem afeta é afetado pelos sistemas de esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos, habitação, transporte etc.

Se uma cidade faz seu dever de casa, no que diz respeito à infraestrutura de drenagem e mantém essa infraestrutura de forma impecável, por exemplo, mas sofre com ocupações informais, carência de infraestrutura de esgotamento e coleta de lixo, remoção indevida de vegetação e solo exposto, um sistema de drenagem bem mantido pode, ainda assim, falhar durante um evento de chuva, em virtude do carreamento de sedimentos e lixo que entopem esse sistema.

Lixo acumulado é uma das causas para alagamentos nos grandes centros.
Lixo acumulado é uma das causas para alagamentos nos grandes centros.

Soluções para as inundações

Portanto, a solução de inundações e alagamentos urbanos não é só um problema hidráulico do sistema de drenagem.

É preciso ter também consciência de que processo histórico de modificação do território, ao longo de décadas (ou séculos) de urbanização, sem a observância da dinâmica das águas pluviais e fluviais, gera uma situação crítica, cuja reversão precisa de tempo e ações continuadas para respostas efetivas.

Mais que um pacote de medidas emergenciais ou de ações solitárias de preparação para um verão, é necessário tomar esse problema como um programa de Estado, de longa data, para permitir a readequação dos processos físicos da bacia urbanizada, de forma a reordenar os escoamentos e compatibilizar as necessidades do ambiente natural com as do ambiente construído (e vice-versa).

Para saber mais sobre o tema, conheça o livro Drenagem Urbana – Do Projeto Tradicional à Sustentabilidade.

livro Drenagem Urbana, de Marcelo Miguez
Marcelo Miguez
Marcelo Miguez
Engenheiro Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990). Doutor em Ciências em Engenharia Civil pela COPPE – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (2001). Professor Titular da Escola Politécnica/UFRJ. Professor Pleno do Programa de Engenharia Civil da COPPE/UFRJ.

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