Comportamento explosivo do nitrato de amônio

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Comportamento explosivo do nitrato de amônio

explosão em Beirute causado por nitrato de amônio

Por Alaor Gomes Martho Junior *

O nitrato de amônio (NH4NO3), amplamente utilizado como fertilizante em virtude do elevado teor de nitrogênio (34%) e do baixo custo de produção é também matéria-prima essencial na fabricação dos explosivos de emprego civil.

O ANFO, abreviatura de Ammonium Nitrate Fuel Oil, explosivo comercializado para desmonte de rocha e exploração de minério, é normalmente formulado com 94,5% de nitrato de amônio.

Acidentes causados por nitrato de amônio

O acidente de 4 de agosto no porto de Beirute, no Líbano, não foi o primeiro causado pela detonação de grandes quantidades de nitrato de amônio.

Em 1921, um acidente de grandes proporções foi ocasionado pela detonação de nitrato de amônio em uma fábrica de produtos químicos em Oppau na Alemanha.

E, em 1947, no porto de Texas City, nos Estados Unidos, um acidente semelhante ao de Beirute ocorreu pela explosão em dois navios carregados com nitrato de amônio. A reação do nitrato foi iniciada pelo incêndio em um dos navios.

Características das substâncias explosivas

Comparadas com as reações das substâncias utilizadas como combustíveis, as substâncias explosivas liberam menores quantidades de energia. Os efeitos observados nas reações explosivas são originados pelas altas velocidades de reação, quantificadas em metros por segundos (m/s).

A reação do nitrato de amônio pode atingir velocidades de até 2.700 m/s, originando a propagação de ondas de choque seguidas do deslocamento de grandes quantidades de gases gerados na reação.

As ondas de choque são as principais responsáveis pela destruição do material na área da explosão e o deslocamento dos gases faz o lançamento do material destruído.

Comparado com outras substâncias explosivas, o nitrato de amônio é muito menos sensível à iniciação. Sua detonação acontece a partir de condições rigorosas de iniciação e, principalmente, de confinamento.

No acidente em Beirute, a reação do nitrato de amônio foi iniciada pelo incêndio, mas foi o confinamento da carga que favoreceu o aumento da velocidade inicial da reação até o regime de detonação com suas ondas de choque e enorme pico de pressão dos gases.

A explosão em Beirute danificou janelas e prédios que ficavam num raio de quase 5 km, de acordo com o jornal americano The New York Times.

*Autor convidado

Alaor Gomes Martho Junior é Tenente-coronel do Quadro de Engenheiros Militares na reserva –  Professor do Instituto Militar de Engenharia (IME), onde ministra as disciplinas de Explosivos para os cursos de Engenharia Química e Engenharia Mecânica e de Armamento. É também Engenheiro de produtos e chefe do Laboratório Experimental da Indústria de Material Bélico do Brasil – Fábrica Presidente Vargas.

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