Desabamento do Condomínio Residencial Andrea: o que aconteceu?

Desabamento do Edifício Andrea: a importância das normas técnicas
11/01/2019
Dia 8 de Novembro é comemorado o Dia do Urbanismo
11/08/2019

Desabamento do Condomínio Residencial Andrea: o que aconteceu?

construction rubble, pile of construction debris

Quando ocorre um desabamento, especialmente de um edifício residencial, ficamos chocados devido ao impacto que causam as perdas de vidas, sofrimentos e perdas materiais. É, de fato, sempre uma grande tragédia que poderia ser evitada. O último desses desabamentos ocorreu em 15 de outubro no Condomínio Residencial Andrea, na cidade de Fortaleza, Ceará, deixando 9 mortos, 7 pessoas resgatadas com vida e a perda total da edificação.

Provavelmente, mesmo sendo difícil opinar sem um laudo técnico, se as devidas providências tivessem sido tomadas com antecedência, o desastre não ocorreria. De toda forma, se um prédio tiver medidas de manutenção e prevenção da deterioração da estrutura, a possibilidade de danos importantes fica muito reduzida.

Desabamento: causas e normas da deterioração da estrutura

Em primeiro lugar, devemos perguntar quais devem ter sido as causas da deterioração da estrutura. Edifícios que têm o pavimento térreo com pilotis – como era o caso do Andrea, localizado a 3 quilômetros do mar – estão muito sujeitos ao ataque da salinidade no aço da estrutura, caso essa estrutura não esteja bem protegida por um recobrimento maior.

A ABNT NBR 6118:2014 Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento indica 40 mm de recobrimento para ambientes sujeitos à ação da maresia. Nesses casos, os cloretos atingem as barras de aço do concreto armado, causando oxidação, expandem o seu diâmetro e, por fim, causam a desagregação do concreto.

No caso de maresia, a NBR 6118:2014 a classifica em classe de agressividade III e prescreve o recobrimento de 40 mm para vigas e pilares e resistência do concreto para esses casos, em que a quantidade de cimento por m³ é maior.

Com menor porosidade, maior proteção à ação dos agentes agressivos e maior resistência, a proteção aumenta. Tudo está prescrito na NBR citada anteriormente.

 O que poderia ter sido feito?

Como foi divulgado pela imprensa, essa construção não tinha registro e não havia a qualidade de construção prevista em normas. Mas é possível perguntar:

  • Houve alguma medida corretiva quando os primeiros sinais de oxidação apareceram nos pilares?
  • Por que não houve escoramento da estrutura antes de ser iniciado o picotamento do concreto deteriorado?
  • Quais eram as especificações para os serviços de recuperação?

Recuperar pilares e vigas não é uma tarefa tão complicada, visto que, pela geometria dessas peças estruturais, elas podem ser recuperadas por um processo de encamisamento. Ou seja: uma nova camada de aço e concreto é adicionada externamente à viga ou ao pilar, aumentando a seção da peça.

Infelizmente, nenhuma recuperação chegou a ser feita. Para responder essas perguntas, será necessária uma investigação, que deverá esclarecer uma tragédia na qual muitas vidas se perderam.

Para saber mais

Para entender mais sobre edificações, desabamentos e outras etapas de construção, conheça o livro Introdução à Tecnologia das Edificações, do professor José Antonio Bourscheid. O livro oferece uma visão panorâmica sobre os principais materiais, técnicas, equipamentos e ferramentas para execução de uma obra bem-sucedida.

O livro é indicado para estudantes de graduação em Engenharia Civil e cursos técnicos de edificações, além de profissionais interessados em ampliar seus conhecimentos em tecnologia da construção civil.


José Antonio Bourscheid
José Antonio Bourscheid
José Antonio Bourscheid possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorado em Engenharia de Produção pela mesma instituição. Possui vasta experiência na área de Construção Civil, com ênfase em materiais e tecnologia da construção, projeto arquitetônico e execução de obra. É Professor Titular do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *