Hospitais de campanha: o papel dos arquitetos na luta contra a Covid-19

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Hospitais de campanha: o papel dos arquitetos na luta contra a Covid-19

Hospital de campanha em Houston, nos EUA

A cidade de Wuhan, na China, recebeu o primeiro hospital de campanha no mundo para receber pacientes infectados pela Covid-19. Na época, foram necessários apenas três dias de obra e 7 mil trabalhadores para construir um local que disponibilizasse cerca de mil leitos. A estrutura utilizada era composta de peças de metal pré-fabricadas, que foram montadas com maestria num curto espaço de tempo.  

Com o avanço da pandemia, mais projetos de hospitais de campanha foram aprovados pelo mundo, em países como Itália, Espanha, Iraque, Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a American Institute of Architects (AIA) disponibilizou uma plataforma para reunir arquitetos do mundo todo para pensarem em projetos de combate à pandemia, especialmente opções alternativas de espaços para tratar pacientes.  

Hospital de campanha construído no Los Angeles Convention Center, na cidade de Los Angeles, Estados Unidos.
Hospital de campanha construído no Los Angeles Convention Center, na cidade de Los Angeles, Estados Unidos.

No Iraque, o hospital de campanha disponibilizou 2 mil leitos em apenas 48 horas. A ala de tratamento intensivo foi desenvolvida por arquitetos italianos, que transformaram contêineres de transporte de carga em UTIs. Esses contêineres adaptados foram chamados de CURA (Connected Units for Respiratory Ailments). Entenda no vídeo abaixo.

Hospitais de campanha no Brasil

Em entrevista, a Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH) explicou que, apesar de as tecnologias usadas no mundo não serem muito variadas, existem muitas adaptações que precisam ser feitas para atender às necessidades e especificações de cada local.

Por exemplo, existem tendas de metal cobertas por lona, ideais para hospitais de campanha do exército, com divisórias (são semelhantes aos stands encontrados em grandes feiras, como uma Bienal do Livro). Ou, em outros casos, há ainda os contêineres modulares, que permitem instalação de ar-condicionado.

Os estádios esportivos e centros de convenção costumam ser os mais indicados para receber hospitais de campanha, inclusive por serem equipados com infraestrutura básica, como água e eletricidade.

Aqui no país, arquitetos começaram a se mobilizar antes mesmo da demanda dos governos Federal, Estadual e Municipal. Os profissionais da área queriam entender a capacidade do país em tratar pacientes com coronavírus. Mas não demorou para que o Ministério da Saúde solicitasse propostas para uma empresa de arquitetura especializada em projetos para construção de hospitais de campanha em estádios de futebol.

Estádios esportivos e centros de convenção

Em abril, o governo já tinha projetos para construção de hospitais de campanha com mais de 1.500 leitos, a maioria sendo de UTIs. Nesse cenário, os estádios esportivos foram considerados a melhor opção pela infraestrutura que ofereciam.

Em geral, nesse tipo de projeto hospitalar, a área de campo é dividida em dois espaços: para leitos de enfermaria e tratamentos mais complexos/intensivos. As salas de convivência de profissionais da saúde podem criadas nos vestiários ou em contêineres adaptados.

Essas estruturas costumam ser são montadas entre 20 e 30 dias.

Exemplos de projetos

Diversos estados brasileiros estão com obras a todo vapor, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Goiás, Pernambuco, Maranhão, Amazonas, por exemplo. Selecionamos dois.

São Paulo

A cidade de São Paulo já disponibilizou dois hospitais de campanha até o momento: o Hospital Municipal de Campanha (HMCamp) do Pacaembu, no estádio de futebol; e o Hospital Municipal de Campanha (HMCamp) do Anhembi, no centro de convenções.

O Hospital Municipal de Campanha (HMCamp) do Pacaembu foi construído no campo de futebol do estádio do Pacaembu. A estrutura física é composta por 200 leitos de baixa e média complexidade, e 10 leitos para estabilização com funcionalidade de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para os casos mais graves. 

Hospital de campanha do Pacaembu, que já tem recebido pacientes. (Crédito da imagem: Prefeitura de São Paulo)
Hospital de campanha do Pacaembu, que já tem recebido pacientes. (Crédito da imagem: Prefeitura de São Paulo)

Já o Hospital Municipal de Campanha (HMCamp) do Anhembi foi construído nas áreas do Palácio das Convenções e Pavilhão de Exposições. O foco é receber pacientes de baixa e média complexidade (isto é, que não precisam de internação em UTIs). O complexo foi montado com divisórias para abrigar quartos coletivos com capacidade de 1.410 leitos.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o Riocentro, centro de convenções que recebe feiras como a Bienal do Livro, foi adaptado para oferecer serviços de tratamento de pacientes durante a pandemia. Além disso, o espaço foi pensado para receber pacientes mais críticos, para que fosse possível reduzir a contaminação nos demais hospitais da cidade, que recebem pacientes com outras doenças.

O hospital de campanha do Riocentro terá 500 leitos distribuídos nos pavilhões, sendo 400 leitos de enfermaria e 100 para tratamento intensivo. Há ainda alas para cirurgias e exames de imagem.

Para deixar o ambiente do hospital mais agradável, a Fundação Parques e Jardins iniciou um projeto de humanização do hospital de campanha, que ganhou vasos de plantas nas entradas.

De acordo com o governo do estado, o Rio terá um total de oito hospitais de campanha.

Desafios dos hospitais de campanha

O principal desafio na construção dos hospitais de campanha ainda é lidar com um vírus pouco conhecido, incluindo como ele se espalha e atua no corpo humano. Por isso, é fundamental projetar áreas especiais para alimentação, descarte de lixo, logística e descontaminação das áreas.

Leia a matéria completa em inglês no site da UIA2021RIO.


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