Inundação em Veneza: entenda o fenômeno

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Inundação em Veneza: entenda o fenômeno

Recentemente, foi possível observar alturas de inundação em Veneza que não se viam há tempos e esse fato ganhou os noticiários da imprensa internacional. A cidade de Veneza tem uma fisionomia muito particular: localizada na laguna de Veneza, no mar Adriático, é cortada por canais que fazem o papel de vias.

A inundação de Veneza, diferentemente de outras cidades costeiras, que sofrem com uma combinação de chuvas e efeitos de maré, se deve exclusivamente à ação das marés

Esse é um fenômeno natural, que ocorre periodicamente e tende a ser mais intenso, lá, principalmente no outono e inverno. O alagamento de Veneza é chamado de “acqua alta” e é maior nas chamadas marés de sizígia (quando sol e lua somam efeitos para amplificação das marés astronômicas) e quando se somam tempestades e ventos no mar, “empilhando” água na laguna (somando efeitos de marés meteorológicas).

Em tempos de possíveis mudanças climáticas, essa situação pode se tornar mais frequente e colocar a cidade e suas estruturas em risco. Um projeto que prevê um conjunto de comportas móveis, chamado Mose e que está perto de ficar pronto, pretende isolar a entrada da água do mar em eventos como esse e evitar que o nível da laguna possa causar danos à Veneza.

Sistema de drenagem

Em cidades como o Rio de Janeiro, e em outras cidades costeiras, é usual que a maré também desempenhe um papel na eficiência dos sistemas de drenagem das águas pluviais. Com o sistema de drenagem descarregando no mar, ou em rios que sofrem a influência de maré, a capacidade de descarga para dar resposta às chuvas pode tornar-se limitada.

É necessário que as cidades se preparem para estes desafios futuros, com uma visão focada em projetos mais sustentáveis, que diminuam os efeitos da urbanização sobre o ciclo hidrológico, que busquem alternativas de adaptação e aumento da resiliência.

Conheça o livro do autor sobre o tema: Gestão de Riscos e Desastres Hidrológicos e Drenagem Urbana – Do Projeto Tradicional à Sustentabilidade.

Marcelo Miguez
Marcelo Miguez
Engenheiro Civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1990). Doutor em Ciências em Engenharia Civil pela COPPE – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (2001). Professor Titular da Escola Politécnica/UFRJ. Professor Pleno do Programa de Engenharia Civil da COPPE/UFRJ.

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