Investigação geotécnica do solo: entenda essa etapa

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Investigação geotécnica do solo: entenda essa etapa

Etapa da investigação Geotécnica

A investigação geotécnica do subsolo é considerada com uma das etapas mais importantes para a elaboração de um projeto geotécnico de fundações.

Para isso, basicamente, são realizados ensaios de campo e de laboratório, visando identificar a extensão, a espessura das camadas de cada tipo de solo que formam o subsolo, as características geomecânicas, suas propriedades físicas e o nível do lençol freático. 

Nessa fase, também são realizadas coletas de amostras deformadas e indeformadas, que são enviadas ao laboratório para realização de ensaios específicos. São elas caracterização, resistência, compressibilidade, permeabilidade, entre outros.

Ensaios de campo ou de laboratório: o que fazer?

Na verdade, ambos são necessários para caracterização adequada e suficiente do subsolo, permitindo a obtenção de informações e das propriedades. Acontece que cada tipo de ensaio apresenta vantagens e desvantagens.

Os ensaios de campo são fundamentais para caracterização inicial do perfil do subsolo, por meio de medidas indiretas, como a obtenção da resistência do solo a partir do número de golpes obtidos no ensaio SPT (NSPT), no caso da sondagem à percussão.

Os ensaios de campo permitem obter as características do subsolo nas condições in situ, ou seja, existe uma preservação das condições naturais em que uma amostra de solo se encontra no maciço. Entretanto, muitas vezes não é possível garantir um controle adequado das variáveis durante a realização destes ensaios devido às condições de campo. 

Por outro lado, ensaios de laboratório permitem um maior rigor durante a determinação de parâmetros e propriedades, a partir de amostras coletadas em campo. 

Dessa forma, as amostras indeformadas coletadas em profundidade sofrem desconfinamento, além da necessidade de adequado acondicionamento durante o transporte e armazenagem quando necessário. Portanto, essas amostras extraídas, desconfinadas e transportadas podem não resultar em propriedades que possam ser consideradas representativas das reais condições in situ.

Sondagens de simples reconhecimento com SPT

A sondagem de simples reconhecimento – também chamada de sondagem à percussão – é costumeiramente empregada para caracterização do local da obra, por meio da determinação do tipo de solo, espessura da camada prospectada, posição do nível freático e o valor de NSPT que representa a soma do número de golpes necessário à cravação do 30 cm finais do amostrador padrão.

Esse ensaio, quando executado de forma adequada e de acordo com a norma vigente (NBR 6484:2001), fornece resultados importantes que norteiam a concepção do projeto geotécnico. Dentre as vantagens, pode-se apontar a robustez dos equipamentos empregados e a simplicidade de execução. 

Entretanto, uma das maiores fragilidades se encontra na elevada dependência do requisito humano para sua realização.

Por isso, sempre que possível, recomenda-se empregar o SPT mecanizado, que apresenta maior uniformização do processo durante toda a sua execução, tomando-se a devida atenção na energia de cravação deste equipamento que é diferente do sistema tradicional. 

Outro importante fator está relacionado à quantidade de furos de sondagem, a qual não se deve restringir às quantidades mínimas exigidas por norma, mas sim, a uma quantidade adequada e suficiente para bem caracterizar o subsolo, evitando surpresas indesejáveis ao bom andamento do projeto de fundações.


Para saber mais, conheça o livro “Engenharia de Fundações“.

Jean R. Garcia
Jean R. Garcia
É Professor Efetivo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) onde ministra cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Geotécnica e Fundações. Possui Mestrado e Doutorado em Engenharia Civil pela UNICAMP, onde atuou também como pesquisador colaborador. Os principais temas abordados nas pesquisas desenvolvidas são: Fundações, Obras de Terra, Métodos Especiais de Escavação, Ensaios de Investigação do Solo e Análise Numérica de Problemas Geotécnicos por Elementos Finitos. Secretário e Integrante da Comissão Técnica de Fundações (CTF-2019/2020), além de membro da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS).

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