Novas DCNs para Engenharia: o que muda?

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Novas DCNs para Engenharia: o que muda?

O Ministério da Educação (MEC) homologou em abril deste ano as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Engenharia (DCNs), cujo objetivo é “atender as demandas futuras por mais e melhores engenheiros”. Neste post, vamos explicar algumas mudanças importantes nesse cenário.

Em comparação com a versão anterior do documento, de 2002, as DCNs de Engenharia trazem conceitos atuais, tais como a formação baseada por competências, o foco na prática, a aprendizagem ativa e uma maior flexibilidade na constituição do currículo.

Por que as DCNs mudaram?

Um dos motivos para as mudanças seria a expansão da indústria 4.0, conceito que engloba a adoção de tecnologias cada vez mais digitais nos processos fabris. Dessa forma, a proposta é que o novo currículo da graduação de engenharia seja mais prático e interdisciplinar.

Somado a isso, a evasão nos cursos de Engenharia é de cerca de 50%, segundo parecer da CNE, o que pediria por uma mudança urgente nas grades curriculares.

O livro A Engenharia e as Novas DCNs – Oportunidades para Formar Mais e Melhores Engenheiros, organizado pelo professor e diretor da ABENGE Vanderli Fava, explica de forma detalhada e analítica as mudanças que precisam ser implementadas nos cursos de Engenharia até abril de 2022. Os capítulos foram escritos por especialistas que participaram do desenvolvimento das novas DCNs, sendo uma contribuição para aqueles que pretendem atualizar e promover melhorias nos projetos pedagógicos de seus cursos (PPC). É um guia fundamental para entender essas mudanças.

Alterações importantes

  • Formação por competências: entre as habilidades e competências esperadas estão visão holística, atuação inovadora e empreendedora, além de criatividade na hora de resolver problemas da área. A proposta é que as instituições de ensino superior formem profissionais mais completos, dotados tanto de capacidades técnicas quanto de aptidões humanísticas.
  • Currículo mais flexível: na antiga DNC, os conteúdos básicos deveriam ocupar 30% da carga horária mínima e, conteúdos profissionalizantes, 15%. Nas novas DCNs, a obrigatoriedade de uma porcentagem acabou. Cada curso pode balancear matérias como melhor entender, desde que não exclua conteúdos básicos, profissionais e específicos.
  • Mais foco na prática: passam a ser obrigatórias as atividades de laboratório tanto para as competências gerais quanto às específicas. A solução otimiza o tempo do aluno, que chega ao mercado mais preparado para extrair o melhor das atividades no ambiente real.
  • Aprendizagem ativa: segundo as novas DCNs, a intenção é “promover uma educação mais centrada no aluno”, isto é, a autonomia será uma das formas de aprendizado contínuo na carreira dos futuros profissionais.
  • Avaliação formativa: as avaliações devem ter caráter de reforço ao aprendizado. O modelo ocorre ao longo do período de ensino para que o aluno tenha a oportunidade de crescer com a avaliação.

Foco em competências

Uma mudança importante é que, a partir de agora, um dos focos é desenvolver competências nos estudantes, e não apenas fornecer elementos para posterior desenvolvimento. De acordo com Fava:

“Isso determina uma mudança de concepção crucial no processo de formação do engenheiro, indicando que os projetos dos cursos devem ser formulados, não mais em função de conteúdos, mas com foco no desenvolvimento de competências como as determinadas no artigo em estudo. Destaque-se, também, que as competências na nova resolução estão mais detalhadas, indo além da simples listagem como consta das DCNs anteriores.”

Perfil do egresso de acordo com as novas DCNS

Art. 3º O perfil do egresso do curso de graduação em Engenharia deve compreender, entre outras, as seguintes características:

I – ter visão holística e humanista, ser crítico, reflexivo, criativo, cooperativo e ético e com forte formação técnica;
II – estar apto a pesquisar, desenvolver, adaptar e utilizar novas tecnologias, com atuação inovadora e empreendedora;
III – ser capaz de reconhecer as necessidades dos usuários, formular e analisar e resolver, de forma criativa, os problemas de Engenharia;
IV – adotar perspectivas multidisciplinares e transdisciplinares em sua prática;
V – considerar os aspectos globais, políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e de segurança e saúde no trabalho;
VI – atuar com isenção e comprometido com a responsabilidade social e com o desenvolvimento sustentável.

De acordo com o livro, a mudança de classificação no perfil do egresso ocorreu para que o estudante desenvolva:

“aptidão para ‘pesquisar, desenvolver, adaptar e utilizar novas tecnologias, com atuação inovadora e empreendedora’, decorrente das necessidades atuais de formação em Engenharia, vai além de buscar ‘resolução de problemas’. Na atualidade, o paradigma é projetar soluções ‘multidisciplinares e transdisciplinares’, visto que os problemas estão cada vez mais complexos.”

Dica de leitura

O livro A Engenharia e as Novas DCNs – Oportunidades para Formar Mais e Melhores Engenheirosaborda os seguintes temas:

  • Antigas DCNs x Novas DCNs.
  • O novo perfil do egresso.
  • Campos de atuação do Engenheiro e da Engenheira em acordo com as novas DCNs.
  •  Currículo por conteúdos x currículo por competências.
  •  Sala de aula x ambientes de aprendizagem.
  • Aula tradicional x metodologias ativas de aprendizagem.
  • “Nivelamento” x acolhimento de ingressantes.
  •  O novo perfil docente para atender às novas exigências A autoavaliação e avaliação baseada nas novas DCNs.

Clique aqui para ler o Capítulo 4: “As inovações nas atuais diretrizes para a Engenharia: estudo comparativo com as anteriores”, escrito pelo professor Vanderli Fava.

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Editorial GEN Exatas

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