Queimadas e Desmatamento no Brasil: análises e perspectivas para a Amazônia e para o Cerrado

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Queimadas e Desmatamento no Brasil: análises e perspectivas para a Amazônia e para o Cerrado

Desmatamento e queimadas florestais

*Por Luan Santos

Vastas áreas foram destruídas por desmatamento e fogo nos últimos anos, enfraquecendo o solo e até mesmo a vegetação que resistiu às chamas. Neste ano, dados de satélite divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 1º de agosto mostraram mais de 6.800 incêndios na região amazônica em julho, um aumento de 28% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Em agosto – mês geralmente considerado o início da temporada de incêndios – mais de 10 mil incêndios foram registrados nos primeiros dez dias, representando um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2019, segundo o Inpe.

A área desmatada no ano passado, na maior floresta tropical do mundo, foi estimada em 10 mil quilômetros quadrados, correspondente aproximadamente ao tamanho do Líbano. É o nível mais alto desde 2008, segundo o Inpe.

O aumento do desmatamento traz um risco maior de incêndios florestais, já que muito do fogo que devastou a floresta tropical no ano passado se espalhou a partir de terras que estavam sendo queimadas para mineração ilegal, agricultura e pecuária.

Destaca-se que quase todos os incêndios na Amazônia podem estar ligados à atividade humana.

As árvores derrubadas para dar lugar ao desenvolvimento econômico são cortadas, deixadas para secar e depois incendiadas. Incêndios adicionais são feitos para eliminar ervas daninhas das pastagens existentes e limpar áreas agrícolas antigas. Ainda, como aconteceu em 2019, esses incêndios podem se espalhar para as florestas vizinhas.

Segundo Ane Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), “não há incêndios naturais na Amazônia”. De acordo com a pesquisadora, “mesmo que esteja muito, muito seco, é preciso que alguém risque o fósforo.”

Impactos na saúde humana

Ar poluído por causa das queimadas causa problemas de saúde.

Além dos danos óbvios à fauna e à flora da Amazônia e da contribuição para as mudanças climáticas, os incêndios no bioma, causados pela ação humana, colocam em risco um outro bem inestimável: a saúde da população.

Este é o alerta de um relatório publicado no final de agosto de 2020 pelas organizações Human Rights Watch, IPAM e Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).

O trabalho calcula pelo menos 2.195 hospitalizações por doenças respiratórias relacionadas às queimadas, das quais 467 (21%) envolvendo crianças de 0 a 12 meses e 1.080 (49%) idosos com mais de 60 anos.

Segundo o documento, a fumaça é repleta de material particulado (MP), um poluente ligado às doenças respiratórias e cardiovasculares, assim como a mortes prematuras. Crianças e idosos, além de grávidas e pessoas com condições crônicas no pulmão e coração, são especialmente vulneráveis.

Cerrado

Cerrado com suas árvores desmatadas

Os impactos dos desmatamentos e das queimadas sobre o equilíbrio climático e sobre a regulação hídrica podem ser tão disruptivos nas funções ecológicas da floresta, que a própria floresta amazônica pode “savanizar”, virando um Cerrado.

As consequências não seriam somente sentidas no Brasil – particularmente pelo agronegócio brasileiro. Impactaria várias regiões do mundo com secas acentuadas, incêndios e queimadas e falta de água, afetando fortemente as áreas produtivas.

O dia nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, foi marcado neste ano de 2020 pelo fogo no bioma. Segundo bombeiros, neste ano foram 3.912 ocorrências de incêndios florestais. Entre janeiro e agosto de 2020, foram registrados 21.460 focos de queimadas no Cerrado, de acordo com o INPE.

Ressalta-se ainda que o Cerrado registrou mais focos de queimadas nos primeiros dias de setembro do que a Amazônia, fenômeno inverso ao que foi visto durante o mês de agosto e desde o início do ano. Esse aumento no número de focos no Cerrado não foi visto no mesmo período de 2018.

De acordo com especialistas, os incêndios provavelmente têm causa humana e se propagam devido à onda de calor que afeta o Cerrado nos últimos dias. As causas naturais são pouco prováveis, já que o bioma passa pelo período de seca – sem chuvas –, e dificilmente ocorreria um raio para provocar um incêndio natural.


*Este artigo é uma colaboração do professor Luan Santos, coautor do livro Economia do Meio Ambiente e da Energia – Fundamentos Teóricos e Aplicações.

Além disso, é professor do curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), campus Macaé, e professor do Programa de Engenharia de Produção do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (PEP/COPPE/UFRJ). Atua também como professor de programas de MBA da Escola Politécnica (Poli-UFRJ) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). 


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