Vazões de referência no planejamento e gestão de recursos hídricos

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Vazões de referência no planejamento e gestão de recursos hídricos

Medição de vazão no Rio Carioca, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro-RJ | Foto: Alfredo Akira Ohnuma Jr.

Neste artigo, três renomados especialistas abordam a importância da obtenção de vazões de referência


No planejamento dos recursos hídricos é fundamental a obtenção de vazões de referência, descritas como Q7,10, Q95, Q90 etc. 

O cálculo de vazões de referência requer estudos hidrológicos de vazões de regularização de corpos hídricos em condições específicas, como em casos de fontes de contaminações, processos de outorga pelo uso dos recursos hídricos e determinação da disponibilidade hídrica.

vazão Q7,10,  é a vazão mínima de duração de sete dias, e associada ao tempo de recorrência de dez anos.

O tempo de recorrência está associado à teoria de probabilidades e riscos, definido como o tempo médio em anos para que um evento extremo seja igualado ou superado.

Já as vazões Q90 ou  Q95   são definidas em função da curva de permanência e são também como caracterização de vazões mínimas críticas, como critério de concessão de outorga de direito de uso da água nas funções que definem o limite mínimo de vazão que deve permanecer no curso d’água após a concessão.

Em inundações, por exemplo, utiliza-se a terminologia “Q20”, “Q50”, “Q100”, como vazões de cheias associadas à 20, 50, e 100 anos de tempo de recorrência, respectivamente.

Elas podem ser utilizadas como referência e análise crítica do evento, ou para estabelecer critérios para medidas de controle, definição de áreas com limitação de ocupação, Áreas de Preservação Permanente (APP’s), ações de prevenção, contingência e de mitigação dos impactos do transbordamento de rios e canais construídos.

vazão remanescente ou residual caracteriza os escoamentos restituídos após o aproveitamento dos recursos hídricos.

As vazões variam sazonalmente, sendo as precipitações e fatores climáticos os principais agentes dessas variações.

É essencial que esta vazão seja regularizada e garanta níveis suficientes ao longo do ano para conservação dos ecossistemas e possa sustentar atividades culturais e socioeconômicas que já ocorriam antes da introdução do aproveitamento.

O termo vazão ecológica ou ambiental tem sido utilizado para definir a vazão mínima que deve ser mantida a jusante do aproveitamento para suporte do ecossistema aquático.



Autores do artigo:

Alfredo Akira Ohnuma Jr.
Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar, 2000), mestrado (2005) e doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental (USP/EESC, 2008).
É Professor Adjunto no Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Luciene Pimentel da Silva
Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Veiga de Almeida (UVA, 1985), mestrado em Engenharia de Recursos Hídricos (UFRJ, 1990) e PhD em Engenharia Civil (Newcastle University, Reino Unido, 1997). Pós-doutorado Sênior no Programa de Pós-graduação em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica (PUC-PR, 2019).

Rosa M. Formiga Johnsson
Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG, 1987), mestrado (1992) e doutorado (1998) em Ciências e Técnicas Ambientais pela Université de Paris-Est Créteil, França. É Professora Adjunta do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).


Conheça também o lançamento: Engenharia e Meio Ambiente – Aspectos Conceituais e Práticos.


Alfredo Akira Ohnuma Jr.
Alfredo Akira Ohnuma Jr.
Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar, 2000), mestrado (2005) e doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental (USP/EESC, 2008). É Professor Adjunto no Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atua nas áreas de hidrologia e recursos hídricos, sistemas de águas pluviais, água de chuva, drenagem urbana, eventos extremos de precipitação, instalações hidráulicas prediais, recuperação ambiental de bacias hidrográficas, monitoramento hidrológico, modelos hidrológicos.

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