Os antivax: o perigo da desinformação e da pseudociência

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Os antivax: o perigo da desinformação e da pseudociência

conheça os antivax

O perigo da desinformação propagada como pseudociência: conheça os antivax

Por Bruno Castro – Engenheiro Mecânico e Ex-capitão/fundador da LUFFT

Qual foi sua reação quando soube que, em pleno Século XXI, existem pessoas que acreditam que a Terra é plana? Provavelmente muitos devem ter negado que isso fosse possível, e, em um segundo momento, podem até ter achado graça da situação. E se eu disser que a negação da ciência pode ser algo extremamente perigoso?

Entretanto, para falar da negação da ciência – ou da propagação da desinformação trajada de pseudociência –, precisamos primeiro definir como a ciência funciona.

O que é, afinal de contas, a ciência como conhecemos?

O método científico

A ciência funciona por meio do método científico. Trata-se de uma série de etapas que precisam ser cumpridas para que uma hipótese seja provada (e virar teoria).

Funciona da seguinte forma:

  • Hipótese: nada mais do que uma suposição, uma ideia. Tudo começa a partir disso.
  • Experimentação: a partir de uma ou mais hipóteses, testam-se o comportamento dessas hipóteses de todas as formas possíveis. Além disso, é interessante dizer que os experimentos mais importantes são aqueles que se propõem a desbancar a hipótese que está sendo testada, ou seja, uma hipótese deve ser submetida à falseabilidade.
  • Análise dos resultados: o observador colhe as informações obtidas a partir dos resultados observados nos experimentos.
  • Conclusão: sob uma série de condições estabelecidas, se após vários testes (experimentos) sua hipótese permanece firme e forte. Ela, então, se torna uma TEORIA.
o método científico é uma ferramenta contra os antivax.
Da hipótese à teoria.

Pseudociência

Agora que expliquei como funciona a ciência, posso me debruçar sobre a pseudociência funciona. E explicarei por que ela consegue enganar muita gente por aí.

Mas, antes, vamos esclarecer uma coisa: diferentemente do que se entende pelo senso comum, uma teoria não é apenas uma opinião.

Uma teoria é uma hipótese que passou ilesa por vários testes. Portanto, sob as condições em que foi estudada, demonstra ser verdadeira, uma explicação coerente para um fenômeno ou conjunto de fenômenos.

A pseudociência, por outro lado, faz o caminho inverso.

  • Conclusão: o pseudocientista tem o resultado que quer chegar, isto é, sua “teoria”, e começa a partir dele, não de uma hipótese a ser testada.
  • Seleção dos resultados: após ter sua conclusão definida, o pseudocientista seleciona todos os resultados que necessitaria demonstrar como verdadeiros, para que ele argumente que sua “teoria” está correta.
  • Experimentação: a partir dos resultados que o pseudocientista deseja encontrar, ele seleciona apenas aqueles que deram certo. Demonstra apenas esses experimentos, omitindo os que não funcionaram.
  • Proposição falha: o pseudocientista consegue, por meio da explanação de apenas testes positivos, que sua conclusão estaria correta desde o início. Desse modo, ignora a etapa mais importante do método científico, que é a falseabilidade, etapa essa que o pseudocientista faz questão de esconder de todos.

Por isso que muitas desinformações parecem ser verdadeiras. As informações, de fato, são verdadeiras em pequenos pontos, mas o pseudocientista omite aqueles pontos que falharam.

Por exemplo, um dia frio pode ser uma constatação utilizada por alguém para impor a conclusão de que o aquecimento global fosse inexistente. Pseudocientistas adoram pegar casos isolados!

Por outro lado, hoje em dia sabe-se que existem inúmeros estudos demonstrando estatisticamente o aumento da temperatura média do planeta com o passar dos anos. Vários testes foram realizados para se chegar a esta conclusão.

Utilizando esses argumentos, os terraplanistas, por exemplo, conseguem convencer as pessoas desinformadas: apresentando testes que são positivos (como mostrar que a olho nu o horizonte aparenta ser plano), mas ignorando (ou melhor, inventando suposições mirabolantes) para o dia e noite, estações do ano, eclipses, e uma série de outros fenômenos.

“Ok, mas você disse que isso poderia ser muito perigoso. O que tem de perigoso nisso?”

Você já ouviu falar nos antivax?

Esse grupo de pessoas nega veementemente o uso de vacinas, muitas vezes alegando que elas poderiam causar mal, em vez de imunizar contra alguma doença.

Segundo a Forbes, a OMS declarou recentemente que os antivax estão no top 10 de maiores ameaças a saúde mundial, em conjunto com problemas já conhecidos como: Poluição do ar, mudanças climáticas, influenza, Ebola, etc.

Este movimento vem crescido bastante nos últimos tempos, e já podemos ver hoje em dia o quanto isso pode ser prejudicial. De acordo com o Ministério da Saúde, no terceiro trimestre de 2019, foram confirmados 2.753 casos de sarampo em 13 estados brasileiros.

O Brasil não tinha um caso de sarampo há anos. Isso poderia ser facilmente evitado com a vacinação da população.

Além disso, outra notícia ainda mais alarmante e mais recente foi a confirmação da primeira morte por sarampo no Rio de Janeiro em vinte anos. A vítima foi um bebê de apenas 8 meses.

Perceba que essa correlação, mesmo não sendo a única possível causa, colabora (e muito) para que doenças tão perigosas quanto o sarampo, ou até mais, possam se espalhar muito mais facilmente em uma sociedade que nega vacinação. Logo, não é por menos a declaração da ONU sobre os antivax.

Como podemos ajudar?

Caro leitor, a única forma de combater a desinformação, é levar a INFORMAÇÃO.

A informação liberta, a ciência liberta. Quando você se deparar, por exemplo, com um terraplanista, um antivax ou um criacionista, explique o método científico.

Com muito diálogo, mostre como essas pseudociências são frágeis, uma vez que simples experimentos são capazes de destruir suas hipóteses fundamentais.

Lufft
Lufft
Lufft é a equipe de Foguetemodelismo da UFF, criada em junho de 2018, a equipe projeta e fábrica foguetes com o objetivo de participar de competições e desenvolver pesquisas na área aeroespacial. A equipe é composta por alunos da UFF de diversas áreas da Engenharia e de Exatas e a equipe faz parte do ramo estudantil do IEEE.

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